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Poder do governo sobre minerais críticos vai à sanção presidencial
Tipo de Clipping: WEB
Assunto: Setor
Data: 02/09/2026
Veículo: (eixos)
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O Senado aprovou, nesta quarta (2/9), em votação simbólica, o relatório do senador Eduardo Braga (MDB/AM) ao projeto de lei 2780/2024, que manteve-se fiel ao texto da Câmara para o marco legal dos minerais críticos, com a inclusão de algumas mudanças na forma de emenda de redação.





Mesmo com os ajustes, o texto preservou o espírito de “soberania nacional” defendido pelo governo Lula (PT). A matéria irá à sanção presidencial.





O PL 2780/2024, de autoria do deputado federal Zé Silva (Solidariedade/MG) e relatoria na Câmara de Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). 





“Entendemos que as demais emendas estariam fora do escopo da proposta, de encontro aos aspectos de soberania nacional e de boas práticas para o desenvolvimento do setor mineral, ou são aplicáveis como regulamento infralegal”, disse Braga em plenário.





Um dos pontos mais controversos, criticado pela iniciativa privada e por liberais, era justamente o poder dado ao governo em homologar operações societárias em projetos de minerais críticos via decisão do Conselho.





Um texto paralelo chegou a ser discutido no Senado há semanas atrás, restringindo ao colegiado apenas o registro e acompanhamento dessas transações. 





No texto aprovado hoje, o CIMCE continuará com competência para definir periodicamente a lista de minerais estratégicos e poderá habilitar projetos, homologar operações relevantes e encaminhar projetos prioritários para licenciamento ambiental especial. 





O texto final também garante a predominância do governo na composição do Conselho.





O desenho prevê até 15 representantes do Executivo, contra apenas dois do setor privado, além de representação subnacional e academia.





Algumas emendas tentavam reequilibrar essa composição, reduzindo o número de representantes federais e ampliando a participação de estados e setor privado. 





“O Conselho nada mais fará do que homologar os contratos. Mas só que agora não mais estaremos abrindo mão da soberania nacional”, defendeu Braga.





Contudo, o texto aprovado acrescentou emenda da senadora Tereza Cristina (PP/MS), vedando acúmulo de atribuições hoje sob responsabilidade da Agência Nacional de Mineração (ANM), em uma tentativa de estabelecer limites entre a agência e o CIMCE.





Dessa forma, a ANM segue com atribuições reguladoras e fiscalizadoras de outorga, enquanto o Conselho é responsável pela formulação de políticas públicas e demais atribuições previstas no projeto. 





“A inclusão dessa ressalva não cria competências novas, não transfere atribuições entre órgãos e não altera o regime jurídico vigente de regulação, fiscalização, outorga ou licenciamento”, justificou a senadora.





Minério de ferro





O relator também rejeitou propostas que poderiam beneficiar a Vale





Uma era a proposta contra o Imposto de Exportação (IE) sobre minério de ferro, e outra a que pedia a retirada do artigo prevendo a caducidade do direito minerário no prazo de dez anos.





“Licenças devem ser transformadas em investimentos”, justificou Eduardo Braga.





Embora o foco do projeto de lei esteja voltado a minerais considerados críticos para a transição energética — como lítio, níquel e terras raras — o texto também abrange insumos classificados como estratégicos, categoria na qual se enquadra o minério de ferro, abundante no Brasil e essencial para a balança comercial do país.





Entre os mecanismos previstos estão “parâmetros, requisitos técnicos ou compromissos de agregação de valor vinculados à exportação”, o que pode impactar a exportação de minério bruto.





Segundo apuração da agência eixos, a inclusão do minério de ferro nesse debate teve como foco estimular o beneficiamento doméstico e incentivar a produção, no Brasil, de produtos de maior valor agregado, como pellet feed para redução direta, DRI (direct reduced iron) e HBI (hot briquetted iron). 





“[O texto] foi aprovado quase por unanimidade, com o apoio de diversos partidos, o que mostra que encontramos um denominador comum muito positivo. Não queremos ser apenas um fornecedor de commodities; queremos agregar valor, atrair tecnologia e receber investimentos maciços que gerem desenvolvimento e empregos no nosso país”, afirmou Arnaldo Jardim à agência eixos.








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