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Rock, blues e folk ditam o tom da apresentação de Robert Plant em Belo Horizonte
Ex-vocalista do Led Zeppelin se apresentou com a banda Sensational Space Shifters no Expominas no sábado, 20
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Divirta-se - Portal UAI
Os fãs de rock que compareceram ao Pavilhão 3 do Expominas na noite do último sábado, 20, tinham em mente um só objetivo: ver Robert Plant – ex-Led Zeppelin e uma das lendas vivas do rock’n roll - subir aos palcos. Apesar de tema das discussões entre os bolinhos que se espremiam contra a grade, o repertório da noite cairia para segundo plano. Com muito ou pouco Led, a estrela da noite seria aquele senhor de 64 anos e cabelos encaracolados – e assim o foi.
Veja mais fotos da apresentação de Robert Plant em BH!
Com 15 minutos de atraso, eis que surge - acompanhado de seu Sensational Space Shifters - o ícone em toda a sua simplicidade. À vontade em uma camisa listrada e jeans escuros, Plant contrastava com a versão psicodélica (e bem mais nova) de si mesmo que adornava o espetáculo. Seguido de um arranhado “tudo bom” em português, confirmaram-se as suspeitas que pairavam sobre a arena (quase) lotada – o tom da noite não fugiria muito da apresentação ocorrida na quinta-feira, 18, no Rio de Janeiro.
Paciente, o roqueiro seguiu seu roteiro à risca e aqueceu a noite com as desconhecida do público Tin Pan Valley e a clássica Forty Four Blues, de Howlin’ Wolf. Iniciados os trabalhos, era hora de aplicar um pouco de Led em uma plateia que se esforçava a acompanhar o ídolo com aplausos e gritos. Já nos primeiros acordes de Friends (Led Zeppelin III, 1970) um público até então meio perdido começa a mostrar sinais de energia.
É na terceira faixa da noite que Plant impressionou e mostrou que o rapaz em cores vibrantes estampado ao fundo do palco ainda existe – pelo menos em parte. Apesar de contido, o vocal ainda é enérgico e cristalino. O ex-Led Zeppelin mostrava que ainda tem fôlego – mensagem que reverberaria pelo resto da noite, em outros clássicos do grupo.
A noite que se seguiu foi uma mescla de clássicos do Led e homenagens ao blues, folk e world music. “Hoje teremos grandes diferenças e grande surpresas para nós”, diz o astro, a certa altura do show. Se uma hora o público explodia diante de sucessos do Led, no momento seguinte estava frio novamente, atento aos versos de um repertório que, apesar de belo, não lhes soava familiar. A sensação era a de que se estava em dois shows distintos que ocorrem intercaladamente, com momentos de euforia entremeados por repousos, enquanto se aguardava ansiosamente o próximo petardo do rock.
E eles estão presentes – apesar de repaginados. Não faltaram momentos em que Plant “cutuca” seu público com as clássicas Black Dog - transformada em um blues -, Bron-Y-Aur Sur Stomp e Gallows Pole, esta com direito a acompanhamentos do africano Juldeh Camara e seu ritti, uma espécie de violino de uma corda só.
Mas é em Ramble On que o público extravasou todo o grito que até então se entalava na garganta. Com interpretação praticamente inalterada de Plant, a faixa foi acompanhada em uníssono pela plateia, em um coro para roqueiro nenhum botar defeito. “Ê galera”, se impressionou o astro, bem humorado com o tardio, porém merecido, feedback.
No já esperado bis, o roqueiro retornou ao palco e fechou o espetáculo com chave de ouro. Com Going to California, (em interpretação suavizada e intimista de Plant) e Rock’n Roll (mais uma vez levando o público à euforia). No final das contas, o público ainda saiu no lucro. Repetindo o feito realizado no Rio, os fãs são agraciados com oito clássicos do Led em 1h45m de show.
Em uma só frase, o roqueiro resumiu o resultado da noite. “Às vezes coisas loucas acontecem quando você faz algo pela primeira vez”. Não se sabe se esta será a última passagem do astro por BH, mas uma coisa fica clara – quem esteve no Expominas viu que, apesar de repaginado, Robert Plant ainda tem muito rock’n roll correndo em suas veias.
ROCK QUE ATRAVESSA GERAÇÕES
O retorno de Robert Plant ao Brasil interrompe um intervalo de 16 anos sem shows do roqueiro no país. Para se ter uma ideia, muitos dos fãs que hoje idolatram o Led Zeppelin não existiam ou eram muito novos para se lembrarem da apresentação do grupo durante o Hollywood Rock, no Rio de Janeiro, em 1996.
Os amigos Pedro, João Victor, João Marcos e Sérgio se reúnem para admirar o ídolo
É o caso dos estudantes Pedro Leon (22), Sérgio Ricardo (17), João Marcos (15) e João Victor (16), uns dos primeiros a marcarem presença no Expominas para a apresentação do ícone do rock. Apesar de novos, eles se consideram especialistas quando o assunto é Robert Plant e seu lendário grupo. João Victor explica a fascinação pelo conjunto. “O Led representa os anos 70, uma década muito boa para o rock”.
Influenciados pelos pais, os jovens mostram propriedade quando o assunto é o próprio Plant. “Eu acho legal estar aqui para, acima de tudo, observar a atitude no palco do ‘senhor’ Robert Plant”, brinca Pedro. Já João Marcos acha interessante notar que o vocalista passa hoje por um “lado mais maduro”. Victor, que também é músico, se mostra ainda mais confiante. “Independentemente do repertório, sei que ele manterá o mesmo nível”, diz.
O casal Wander e Thaís,
viajou de Cuiabá para assistir o show ao lado de Samir e Adriany
Em outro grupo de apaixonados por Led Zeppelin está o casal de advogados Wander Bernardes (27) Thais Schmidt (29). Fãs de Robert Plant desde a adolescência, a dupla decidiu viajar de Cuiabá, Mato Grosso do Sul, especialmente para a apresentação do músico em Belo Horizonte. Para Wander, que aprendeu a gostar do grupo com amigos mais velhos, ver o astro subir ao palco já basta o ingresso. “Conheço o trabalho antigo dele. Este não é o rock clássico, mas só vê-lo em ação já vale a pena”. Influenciada pela mãe, Thaís é ainda mais objetiva na justificativa para a viagem. “Vim ver o maior vocalista de todos os tempos”.
Outro especialista em Robert Plant e companhia é o cardiologista Samir Saadeddine (40). A apresentação marca o segundo show do médico, que compareceu à apresentação de 96. Desta vez, resolveu vir acompanhado da mulher, Adriany (38). “Da última vez que vi ele nos palcos eu estava no último período de medicina”, lembra. Para o “doutor” em Led Zeppelin, o sucesso do grupo só tem uma explicação. “O Led sempre absorveu todos os estilos. Daqui a duzentos anos, estudarão o grupo como quem estuda Bach e Beethoven nos dias de hoje. É atemporal”, afirma.
Samir faz parte do grupo que acompanha o progresso da carreira de Robert Plant de perto. Para ele, o variado repertório do vocalista não é nenhuma surpresa. “Uma coisa é fugir da linha, outra é dar meia volta e retornar às origens. Plant tem essa abordagem erudita para suas músicas desde os primórdios da banda”, explica. “O Led influenciou todas as bandas que se seguiram à década de 70”, completa.
Veja a as músicas tocadas por Robert Plant no Expominas:
Tin Pan Valley
44 Blues
Friends
Spoonful
Somebody Knocking
Black Dog
Song to the Siren
Bron Y Aur Stomp
Enchanter
Gallows Pole
Ramble On
Fixin to Die
Whole lotta love
Going to California
Rock’n Roll
TURNÊ
Depois de BH, Robert Plant fará dois shows em São Paulo (segunda e terça-feira, no Espaço das Américas); Brasília (dia 25, no Ginásio Nilson Nelson); Curitiba (dia 27, no Teatro Guaíra) e Porto Alegre (dia 29, no Gigantinho). A turnê latino-americana vai passar ainda pela Argentina (Buenos Aires e Córdoba), Chile (Santiago) e Peru (Lima), terminando em 12 de novembro na Cidade do México.
*por Lucas Rage
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